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Adoção de animais e adoção de crianças
Alguns dias atrás, eu soube de mais um caso em que alguém se recusou a responder o questionário de adoção de animais (enviado por qualquer protetor cuidadoso para todo pretendente à adoção de um animalzinho) com a clássica justificativa de que ‘não se trata da adoção de uma criança’. E achei que seria bom falar um pouco sobre isto.
É plenamente justificável a preocupação das autoridades com quem vai adotar uma criança. Afinal, até esta criança ter condições de se sustentar, serão vários anos de gastos com habitação, comida, estudo, vestuário, saúde e tudo mais que um ser humano precisa. Sem contar, é claro, todo o carinho, amor e bons exemplos que ela deverá receber para não se tornar um adulto problemático. Acontece que crianças uma hora começam a falar. E, a menos que estejam num cárcere privado, vão à escola, têm amiguinhos, professores, vizinhos – pessoas que podem perceber se há algo errado, se há algum tipo de abuso. Também é improvável o abandono de uma criança por quem a adotou. Por fim, crianças um dia crescem – tornam-se adultas, tornam-se independentes.
Um animal, assim como uma criança, também gera gastos: com medicamentos e consultas médico-veterinárias, com alimentação, com higiene, com brinquedos, eventualmente com roupas. Claro, não precisa de uma ‘escola’, mas às vezes precisa ficar hospedado num hotelzinho, precisa de alguém que passeie com ele. Também necessita de carinho, de atenção, de cuidados. Só que o animal, ao contrário de uma criança, não cresce, não se torna independente; fica eternamente criança. Uma criança que não pode explicar o que lhe fizeram, como a maltrataram, onde morava antes de ser abandonada. Uma criança que muita gente não tem o menor pudor em abandonar na primeira dificuldade, mesmo que esta dificuldade seja uma viagem de férias na qual o bichinho não pode ir junto! Que muita gente abandona porque chora (late ou mia) demais, porque estragou um sofá, porque arranhou ou mordeu alguém que certamente lhe deu motivos para isto. É uma criança que se pode facilmente trancafiar dentro de um canilzinho ou quartinho fétido, imundo, com pouca ou nenhuma comida, com água suja. Ou cujos ‘pais’ não se importam se sai para a rua e morre atropelada, envenenada, maltratada. Para estas pessoas, o animal é um brinquedo, é um sistema de alarme ‘barato’, é um companheirinho que pode ser trocado por ‘algo melhor’ que apareça, como um noivo, uma namorada. É um objeto que pode ser jogado fora no momento em que se enjoou dele.
Tanto crianças como animais são seres vivos e, como tais, merecem respeito e uma vida digna. Ambos sentem fome, frio, dor, solidão, tristeza, medo. Ambos são indefesos e podem ser – e são – vítimas das mais atrozes crueldades. E por isso o cuidado tomado por quem doa é justificável, e muito, em ambos os casos – das crianças e dos animais.
A adoção de um bichinho é um compromisso para muito, muito tempo – 10, 15 anos. Às vezes, até mais. Durante este período muita coisa pode acontecer com qualquer um de nós. Podemos perder o emprego, mudar de casa, separar do(a) companheiro(a), encontrar um novo amor, ficar sem dinheiro, ir para outra cidade ou país. Mas o animalzinho continua o mesmo - aquela criancinha dependente e que, à medida que envelhece, precisa de nós cada vez mais. Por isso, o questionário é necessário. Ele não é uma invasão de privacidade. Ele é um instrumento que serve para esclarecer o adotante de tudo que a adoção envolve e que ajuda o doador a verificar se o dito adotante está preparado para o tamanho do passo e do compromisso que quer assumir. Quem não quer respondê-lo com justificativas como a que gerou este artigo, não está preparado para cuidar de nenhum ser vivo.
3 comentários »Gatinhos com prazo de validade vencido? PARTE IV
Continuando nossa batalha para desmitificar a adoção de animais adultos, colocamos aqui alguns textos e reportagens. Algumas das nossas adoções saíram em reportagens da Arca Brasil (da Ricota, da Pantone e da Satine) e uma, também, na Revista da Hora (do Thierry e da Bryana). Já faz algum tempinho, mas sempre vale a pena mostrar.
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Retirado do site da ARCA BRASIL (para ver a matéria completa, o link é este aqui: http://www.arcabrasil.org.br/noticias/0708_animais_adultos.html)
A timidez dos felinos
Gatos adultos tendem a ser mais limpos, calmos, educados e obedientes do que os filhotes. Porém, a adaptação a um novo lar pode ser um processo delicado se o animal tiver sido maltratado ou crescido sem muito contato com seres humanos. Segundo Andrea Podolski, responsável pelo Projeto Bicho no Parque, o felino é um animal que não gosta muito de mudanças e demora mais para se acostumar. “Enquanto o cachorro geralmente leva algumas horas, o gato demora alguns dias para a adaptação”, diz ela.
A secretária executiva Cleiser Jaqueline Lopes, que adotou a gata Ricota, sentiu o desafio dos primeiros dias na pele, com uma gata que havia sofrido maus tratos. “Na primeira semana achei que ela fosse morrer. Ela ficou sete dias escondida debaixo do sofá, sem comer, beber água ou usar a areinha”, revela.
Cleiser pensou em desistir, mas é muito grata por não tê-lo feito, porque depois de alguns dias teria uma grande recompensa: “Deixei-a à vontade e aos poucos ela foi se adaptando ao ambiente. Hoje ela é um doce, super-carinhosa, dorme conosco na cama e faz uma festa quando a gente chega em casa”, festeja a secretária.
A gata Pantone da engenheira Cristiana Parada tinha histórico difícil e foi justamente por isso que sua dona a escolheu. A bichana surpreendeu ao reconhecer o seu novo lar imediatamente. Sua dona, que já tinha dois outros gatos, afirma que Pantone é a mais carinhosa e companheira. “Ela é daquelas que pula no colo, amassa a roupa e pede carinho sempre”, conta.
Em casos mais difíceis, a adaptação pode durar até dois meses e geralmente acontece com animais ariscos, que não tiveram muito contato com seres humanos. Para se ter sucesso na adoção de um gato adulto, Andrea Podolski dá a receita: “O principal é respeitar o espaço e o tempo dele, conseguir segurar a ansiedade de querer tocá-lo e ter sua amizade imediatamente”.
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E aqui está um trecho da 2ª parte da matéria da ARCA BRASIL, agora com a Satine e o Sr. Benedito (uma adoção perfeita, que sempre emociona - para quem não liga o nome à gata, Satine é a gatinha com um olhinho comprometido, que está no mês de Abril do Calendário Bicho no Parque 2008). O link é este: http://www.arcabrasil.org.br/noticias/0708_animais_adultos2.html
Benedito e Satine
O advogado Benedito Valdemar Labianco tinha uma gata que ficou doente e que, apesar das tentativas, infelizmente não conseguiu salvar. “Ela era filha da Gata Luna que também faz parte da minha vida”, conta.
Um dia, no pet shop de um shopping em São Paulo, ele pediu para Andrea Podolski (projeto Bicho no Parque) o folheto de adoção para dar uma olhada. Neste instante ele conheceu Satine: “Foi amor a primeira vista. Andrea me perguntou se eu iria querer ela assim, adulta e cega de um olho. Eu disse que justamente por isso a queria, porque ela precisava de mim”.
“A primeira semana foi difícil. Avisei a Andrea e recebi todo apoio”, revela o advogado. Ele ficou preocupado porque Satine queria ficar só em um canto, sem nunca sair. Ele colocou água e comida próximos ao local e foi se aproximando aos poucos. Foram meses nessa dificuldade, mas aos poucos foi ganhando a confiança do animal.
Benedito diz que demorou quase um ano para ela se sentir completamente adaptada. “Hoje ela disputa com a Luna um lugar no sofá. Quando vou me deitar, costumo sentar na cama e chamar pela Satine, dizendo: ‘vem dormir filha’. Ela vem e se aloja ao meu lado. Depois chamo a Luna, que geralmente dorme nos meus pés”, narra o dono.
Benedito não tem mais animais pois mora em um apartamento e não tem espaço para outros. Quando perguntam de qual delas gosta mais, hesita: “É impossível responder, as duas são a minha maior felicidade, faço tudo para elas”.
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As mais recentes notícias do Sr. Benedito são estas, recebidas via e-mail depois de mandarmos a reportagem da Arca:
FIQUEI FELIZ. EU, A SATINE E A LUNA ESTAMOS EM HARMONIA. A MAIS NOVA DA SATINE, FICO NA SALA E QUANDO DESLIGO A TELEVISÃO ELA CORRE PARA MINHA CAMA ME ESPERAR, PRECISO DE MAIS ALGUMA COISA? E A LUNA CONTINUA DORMINDO AOS MEUS PÉS. ESTÃO LINDAS. ABRAÇOS, BENEDITO.
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Por fim, a reportagem da Revista da Hora:
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Alguém ainda duvida do quão gratificante e possível é adotar um bichinho adulto?
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Sobre os gatos
O que significa, para você, amar os animais?
Muita gente diria que significa dar uma vida maravilhosa ao seu próprio ‘pet’. Outros diriam que significa respeitar todos os animais, sem distinção de raça, tamanho, cor, idade. Outros iriam além: é dar segurança, é defender, é salvar os que precisam.
Todas as alternativas acima estão certas, e provavelmente há outras além da que eu mesma vou colocar aqui: para mim, amar os animais significa também colocar-se no lugar deles e tentar ver a vida como eles mesmos a vêem, sem idéias pré-concebidas e, o principal, sem a lógica humana - que na maioria das vezes atrapalha até mesmo os próprios humanos.
Parece-me muita arrogância acreditar que nós, humanos, sabemos sempre o que é melhor para tudo que está à nossa volta, incluindo os animais. Afinal, cada pessoa tem seus próprios parâmetros de conforto, de felicidade, de lar, de segurança - que podem variar até de país para país, de cultura para cultura. E se nem nós estamos de acordo nisto, como podemos ditar regras para outros seres? Será que nossos conceitos servem também para os animais? Eu digo que não… nem sempre. Principalmente quando se fala de felinos. Aliás, é por isto que criei o Bicho no Parque.
Por algum motivo, os gatos sempre foram considerados ‘pequenos cachorros’. Antigos livros dos cursos de Medicina Veterinária voltados a pequenos animais eram dedicados basicamente aos cães, e os gatos entravam literalmente no apêndice. Nada mais incorreto. Esta visão está mudando - tanto que hoje há profissionais que cuidam exclusivamente de felinos, algo impensável há alguns anos - mas, mesmo assim, muita gente ainda teima em querer comparar as duas espécies e, o pior, dar-lhes o mesmo tratamento.
O cachorro é, desde tempos imemoriais, dependente do homem. O gato, não - ele manteve sua independência, seu espírito livre. E alguns felinos são simplesmente indomesticáveis. E é isso que as pessoas não compreendem. Achar que todo e qualquer gato prefere um sofá ou colo quentinho a uma grama úmida e à liberdade é simplificar as coisas, é pensar em termos humanos e não felinos - afinal, NÓS preferimos este tipo de conforto.
O Rambo, no parque, era um doce, carinhoso. Assim como a Menina, o Tigrão, a Meg Ryan, a Neve e vários outros. Ao serem tirados de seu lar, seu habitat, mudaram seu comportamento, que variava do depressivo ao furioso. Mas, ao voltarem ao parque (no caso da Menina, do Tigrão e da Meg Ryan), retornaram também ao comportamento dócil anterior. A Neve foi adotada, mas por uma pessoa que a respeita e sabe que ela não é um gato de colo. Mesmo assim, ela continua bastante arredia com estranhos.
No final de 2002, tiramos do parque os primeiros gatos para castrar. A Menina, o Mausi e a Branquinha ficaram por uma semana em minha casa para se recuperarem da cirurgia. O Mausi, na época com uns 5 a 6 meses, logo se soltou - tanto que acabou sendo adotado por nós. A Branquinha ficou arredia. E a Menina, furiosa e intocável. Colocá-la na caixa de transporte para devolver ao parque foi quase impossível. Chegando lá, ainda presa, ela começou a miar - tinha percebido onde estávamos. A caixinha de transporte foi colocada no chão, a porta aberta; ela saiu e começou a se esfregar em minhas pernas, ronronar, aceitar carinho. Estava em casa.
Alguns anos depois foi feita uma tentativa de adoção dela e do Tigrão, juntos - como são muito unidos, é impossível separá-los. O Tigrão quase destelhou a casa e miava o tempo inteiro, a Menina ficou o tempo inteiro escondida. Esse comportamento não mudou em mais de uma semana. Devolvidos ao parque, ficaram novamente sociáveis. Eles continuam para adoção - estão velhinhos, e nós, apegados a eles, gostaríamos - dentro da nossa visão humana de mundo - que eles tivessem um final de vida mais tranqüilo. Mas o que será que ELES querem?
É por isso que eu pergunto: é justo colocar todos os felinos ditos domésticos dentro de um mesmo saco e considerar que merecem a morte aqueles que não aceitam e não se encaixam nos nossos parâmetros do que é bom? É correto sacrificá-los por não ’servirem’ para companhia, por serem bravos, medrosos ou por simplesmente se defenderem do homem que os acua? Não seria melhor respeitar as diferenças e permitir, como já é feito em países de primeiro mundo, que os gatos ferais tenham direito à vida no lugar que eles consideram como sua casa?
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Em tempo…
Na 5ª feira, 31/01, o Nelson e a Simone tiraram do parque uma gatinha jovem, de menos de um ano, peluda e já castrada, que havia sido abandonada algumas semanas antes. No mesmo dia ela recebeu as vacinas, foi fotografada e encaminhada para nosso LT. Está lá, permanecendo isolada dos demais quando não há ninguém. Seu nome é Jasmin.
Na 6ª feira apareceu uma gata adulta, branca, peluda, de olhos bem azuis e vesguinha. A Graça encontrou uma pessoa para hospedá-la durante o Carnaval, mas logo depois ela será levada à clínica para exames, castração e vacinas.
Teresa está ótima. Quase não há vestígios da lesão em seu olho direito; é alegre, espoleta e, bem, temperamental
. Por causa do Carnaval, foi encaminhada ontem (sábado, 02/02) para nosso LT… onde divide um quarto com a Jasmin.
O Rambo está bem. Aparentemente a infecção era mesmo por causa das feridas e do abcesso que uma dessas feridas virou. Também foi levado para nosso LT devido ao Carnaval, mas permanece dentro de uma jaulinha. É um gato fácil de tratar, porém está extremamente acuado, com medo, infeliz mesmo. Um animal indoável, que considera o parque seu lar e a liberdade, seu modo de vida. Por isso, depois de ser castrado e vacinado, é para lá que ele vai voltar.
1 comentário »Gatinhos com prazo de validade vencido? PARTE III
Aproveitando que ainda está viva por aqui a idéia de preconceito com animais adultos, sem raça definida ou de pelagem e cores ‘comuns’, ou ainda com algum probleminha físico, quero falar sobre algumas pessoas muito especiais.
Toda pessoa que adota um animal em vez de comprar merece nosso respeito e admiração. É gente que não considera um ser vivo uma mercadoria com etiqueta de preço, e que sabe que o valor não está na raça, cor ou pêlo. Como escreveu a Marcia Bindo na última revista ‘Vida Simples’ (Dezembro 2007 - edição 60): “O bonito de adotar um animal é que não há uma relação comercial. Quem cuida faz por amor. Quem adota também.”
Mas dentro da categoria de adotantes há uma categoria ainda mais especial. A daqueles que adotaram animais com pouca ou nenhuma chance, ou mesmo que não desistiram diante de alguma dificuldade. E aqui vai uma pequena homenagem a algumas destas pessoas tão maravilhosas, e que eu espero que venham dar seu testemunho aqui.
O Sr. Benedito adotou conosco a Satine. Uma gatinha adulta, medrosa, preta, peluda, com um olhinho defeituoso… por que as pessoas sentem pena, ficam com dó, mas não levam para casa? Ele a levou.
A Lilian adotou a Tris. Com 2 meses de idade, esta filhotinha da Satine perdeu uma perninha dianteira dentro do motor de um carro. O que sobrou da perninha foi amputado e ela ficou trípede. Foi adotada e tem uma vida de rainha.
A Raquel e o Vinícius adotaram o Thierry. Tudo bem, era um gato lindo… mas arisco, que não gostava de contato, medroso. Eles seguiram todas as orientações do Bicho no Parque, tiveram a maior paciência por semanas a fio… e conseguiram ganhar a confiança do gatinho. E depois adotaram a Bryana… uma gatinha preta, de pêlo curto e que, por causa de algum trauma numa perninha, poderia até ficar manca. Eles não ligaram. Hoje os dois gatinhos estão perfeitos, lindos, se adoram… e, claro, adoram seus escravos humanos
O Sid e a Milla adotaram a Noemi. Ela já havia passado por duas casas sem sucesso; mas os dois quiseram tentar. Assim como a Raquel e o Vinícius, fizeram tudo direitinho, deixaram a gatinha se adaptar em seu próprio tempo e ritmo… e hoje ela é um dos 6 xodós da casa. Outro xodó, aliás, também veio do BNP: a Pandora, uma gatinha daquelas que ninguém quer: adulta, rajada e de pêlo curto.
A Denise adotou a Molly, que depois virou Carol. Uma gatinha frajola, pequena, adulta e super arisca, que jamais teria chance com outras pessoas… e hoje está feliz e tranqüila.
A Luciana adotou a Dóris: adulta, pêlo curto e… frajola. Por algum motivo, ninguém quer gatinhos frajolas adultos. E ainda adotou junto o Romeu, ou seja, encarou 2 de uma vez…
A Leonor adotou a Petota: pretinha, adulta, pêlo curto e um rombo na orelhinha, feito por um veterinário que não entendeu que queríamos uma ‘marquinha’ de identificação para devolvê-la ao parque…
A Adriana um dia se ofereceu como lar transitório. Ficou com a Mandala, pretinha, e a Pochete, rajada, duas irmãs arisquíssimas do parque, e uma siamesa temperamental, cujo nome acho que era Melissa. Esta última foi adotada. As irmãzinhas não tiveram pretendentes logo… e acabaram sendo adotados pela Adriana - que hoje tem mais um monte de gatos… e cães
O Rogério adotou a Chan. Pretinha, pêlo curto… a mesma história de sempre. A diferença neste caso é que a Chan foi a 2ª tentativa de adoção do Roger. A 1ª foi a Noemi que, como visto lá atrás, não se adaptou. Mas ele não desistiu.
Como esquecer do Gary Cooper, adotado pela Nathalia? Ele foi o primeiro gatinho a usar nosso LT. Adivinhem… frajola, adulto, pêlo normal e um olhinho meio embaçado. Hoje ele tem uma pagininha no Orkut só dele.
E tantos outros: a Ana Paola e a Marcela, que adotaram a Jane Fonda (pêlo curto, branca com algumas manchas, adulta e arisca) e o Robinho (pretinho básico); a Juliana, que adotou 3 Mafagafinhos pretos, mesmo depois de achar um 4° filhote preto na rua; a Marta e o Sergio, que adotaram o Chorão (preto adulto arisco) e o Sebastian (frajolinha adolescente); a Carla, que adotou a Olívia (preta adulta) e tantos outros.
Obrigados de todos nós a todos vocês
Gatinhos com prazo de validade vencido? PARTE II
Um pouco abaixo mostramos alguns dos nossos gatinhos com ‘prazo de validade vencido’ e que ninguém quer adotar. O que significa esta expressão e quais os mitos e verdades acerca deste tema, o da adoção de animais adultos?
Como todos sabem, algo com o prazo de validade vencido não tem mais valor, não pode mais ser usado, não serve mais. Seu destino é o lixo… ou, no caso de um ser vivo, o desprezo ou a indiferença. Pois bem, é assim que muita gente considera os milhares de animais acima de 1 ano de idade (e às vezes até mais jovens) que esperam por adoção. E se o bichinho não tiver uma raça, for pretinho ou tiver pêlo curto, então suas chances de encontrar um novo lar se reduzem a praticamente zero. De onde vem tanto preconceito, ainda mais num país cuja população é ela mesma um mix de todas as culturas, cores e origens possíveis?
Às vezes penso que as pessoas nos pedem apenas filhotes por puro desconhecimento da possibilidade - e do prazer - de levar para casa um animal adulto. É como se as décadas de (lamentável) comércio de animais (bichinhos recém-desmamados, ou ainda mais jovens) criaram a relação “adquirir bicho = adquirir filhote”. Tem até quem vá além (ou aquém): esquece que o filhote cresce. E o cãozinho ou gatinho que um dia foi desejado por ser bebê agora é adulto, tem outras necessidades e corre o risco de ser abandonado. Mas isto já é outro assunto.
Esse condicionamento do ‘adquirir filhote’, por sua vez, parece ter levado à falsa crença de que somente animais jovens se adaptam a um novo lar, um novo dono e até mesmo a um outro bichinho que já more na casa. Ledo engano. As duas opções têm vantagens e desvantagens. Por que não considerar ambas, então?
Adotar filhote x adotar animal adulto
Adotar um bebê é uma delícia, não se pode discutir. Eles têm energia, são brincalhões, divertidos, querem atenção, adaptam-se facilmente. Mas será que tudo isso significa apenas vantagens?
Em relação aos cães, para quem tem bastante tempo disponível e paciência, a adoção de um filhote é tranqüila. Ele ainda precisa ser ensinado, sente falta da mãe e dos irmãos e tem muito mais propensão à ‘destruição’ do que um animal de mais idade. Ou seja, precisa de uma companhia mais constante. Mesmo assim, nem sempre é possível prever qual será sua personalidade quando adulto.
Já para os muito ocupados, que passam o dia inteiro fora de casa, moram sozinhos ou têm uma criança pequena, a adoção de um adulto é muito mais indicada. Sua personalidade já é conhecida, ele não se ressente tanto da solidão e, o principal, sabe que foi resgatado de uma vida de privações – e isto o torna realmente companheiro.
No caso de gatos, não dá para negar: filhotes são uma diversão constante e sua adaptação é quase instantânea, ao passo que um gato adulto é mais sossegado (embora quase todos mantenham o espírito brincalhão) e demora um pouco mais para se acostumar à nova vida. Isto ocorre principalmente devido à resistência que os felinos têm a qualquer tipo de mudança e o medo que sentem por causa disto (quem nunca ouviu o mito de que gatos se afeiçoam à casa e não ao dono?). Mas qual a diferença REAL entre o bichinho demorar algumas horas ou alguns dias (talvez até algumas semanas) para se acostumar à nova vida, e qual a importância disto frente aos anos de convivência feliz que virão a seguir? Será que realmente não vale a pena tentar dar uma chance a um animal que já sofreu, já foi rejeitado… e que não teve a menor culpa de ter crescido? E que vai retribuir com muito, mas muito carinho mesmo a oportunidade que lhe foi dada?
Então, quando você pensar em adotar um bichinho, dispa-se dos seus preconceitos. Olhe os animais que esperam por um lar da mesma forma que eles vêem você: sem idade, sem diferença de cor, sem defeitos, sem idéias pré-concebidas… apenas como um ser vivo que merece a chance de ser feliz.
Andrea Podolski - São Paulo, 23/11/2007
Gatinhos com prazo de validade vencido?
Aqui vão algumas fotos recentes dos gatinhos que estão prontíssimos para adoção e que ninguém quer. E sabe por que ninguém os quer? Porque cresceram, ficaram adultos e, aos olhos de quem adota animais, perderam seu encanto. Como é complicado esse preconceito…
A Little tem 5 anos e é um doce de gata companheira, que adora ficar juntinho. Passou por alguns probleminhas, foi internada, sarou, foi adotada, devolvida um ano depois porque sua dona arrumou ‘um noivo que não quer saber de cuidar de bicho’, teve suspeita de FeLV (Leucemia Viral Felina), foi tratada, o exame negativou… ufa! Pois é, agora aguarda um lar com tudo de bom.
O Maurice foi o único que sobrou de uma ninhada de 4 - um pretinho e 3 amarelinhos. É um doce de gato, falante (ele responde quando se fala com ele), esperto, grandão… e com um longo rabo que parece uma bengalinha. É lindo. Está com quase 1,5 ano e perfeitamente saudável.
A historinha do Polenta será que precisamos contar? Basta ler alguns dos posts deste blog pra saber o que ele passou… foi abandonado no parque aparentemente castrado; devido ao forte cheiro da sua urina marcamos um ultrassom para ver se estava tudo em ordem. Já adotado, foi levado para fazer o tal ultrassom, que detectou um testículo no meio da barriga. A cirurgia estava agendada quando ele de repente ficou muito mal, foi internado às pressas e tratado de hemobartonelose. Quase morreu. Gastamos mais de R$ 1.000 com ele só por causa dessa doença. Ele foi devolvido, ficou no lar transitório até se recuperar por inteiro e, no dia 09/11, foi finalmente castrado. E agora aguarda adoção… na jaulinha do veterinário. É um gato companheiro, doce, fofão demais. Quem se habilita?
A Mansa é uma gatinha dócil, que gosta de gente, adora colo e, pelo que parece, um tanto rueira. É jovem, foi abandonada castrada e, como ia voltar ao parque, tem uma marquinha na orelha para identificação. No fim, por ser tão dócil, acabou indo para o lar transitório… e está lá, à espera de um lar.
Gente, todo ser vivo merece uma chance de uma vida boa. É muito triste ver que o mesmo preconceito que afeta crianças sem lar atinge também os animais. Basta crescerem um pouquinho e ninguém mais se interessa por eles.
É justo?
Sem comentários »Sobre política, proteção animal e o Projeto Bicho no Parque
Durante as últimas semanas, aconteceram algumas coisas na proteção animal. Em uma reunião com protetores na APASFA, o vereador Aurélio Miguel apresentou em primeira mão um projeto de lei - de sua autoria - que regularizava a criação e a venda de animais domésticos. Quando foi protocolá-lo, 3 dias após essa reunião, descobriu que não poderia fazê-lo, pois o vereador Tripoli, cuja assessoria esteve na mesma reunião, havia protocolado um projeto semelhante algumas horas antes. Coisas da política.
Independente de quem seja o autor, o projeto tenta regularizar a criação e o comércio de animais. Existem, naturalmente, criadores decentes e que não vêem e nem tratam seus animais como meras fábricas de dinheiro. Mas a imensa maioria é de criadores inescrupulosos de ‘fundo de quintal’ mesmo, pessoas que não têm o menor respeito à vida e aos animais. Essa gente exaure suas matrizes fazendo com que engravidem em todos os cios (o que as enfraquece muito), vende as crias sem vacinas, sem controle de doenças e parasitas (isto custa, e não é pouco) e muitas vezes antes da época ideal de desmame (que ocorre aos 60 dias), expõe esses animais em avenidas ou locais movimentados, sob sol, chuva, tempo quente ou frio. Vendem para qualquer pessoa que se encante com o filhote, sem falar das características do mesmo quando crescer (e aí acontecem casos de pessoas que moram em apartamentos minúsculos comprarem um cão que fica imenso e precisa de espaço para se movimentar), o que aumenta em muito o risco do abandono deste animal no futuro. Enfim, o que importa para essas pessoas é faturar. E é sobre esse comércio geralmente ilícito que a lei pretende legislar.
No entanto, a lei possuía algumas definições não muito corretas, e, ao nosso ver, precisava de alterações. Por isto, o Nelson Bertarello, representando o Bicho no Parque e a UIPA, foi à Câmara de Vereadores na audiência pública do projeto, e expôs suas idéias. Não foi muito bem recebido pela equipe do vereador Tripoli, que é absolutamente impermeável a qualquer proposta externa. Assim, no dia 15/05, fomos, o Nelson, eu (Andrea Podolski) e o veterinário Wilson Grassi, novamente à Câmara, para conversar com outros vereadores. Fomos recebidos pelos vereadores Wadih Mutran, Aurélio Miguel e Aurélio Nomura. O tema foi o projeto em si, mas pudemos aproveitar para começar a apresentar - muito discretamente - o Bicho no Parque.
Esta apresentação começa a ser necessária, pois a intenção do Projeto BNP sempre foi criar uma política pública que tratasse dos gatos ferais e semi-ferais que vivem nos parques e praças de nossa cidade - e nos parques e praças do mundo inteiro. Infelizmente, aqui no Brasil ainda está em voga a idéia de que animais são, em primeiro lugar, vetores de zoonoses. É assim que a Saúde Pública os vê. Como exemplo, há o caso de um símio que estava no viveiro do Parque Ibirapuera, na divisão de veterinária (silvestres), e que morreu de toxoplasmose. Capturaram o primeiro gato que conseguiram, enviaram-no ao CCZ e, como ele se comportou de forma agressiva (como faria QUALQUER gato não domesticado na mesma situação), foi eutanasiado. NÃO FIZERAM NELE O EXAME PARA DETECTAR SE ESTAVA INFECTADO COM O VÍRUS, nem levaram em consideração o fato de a toxoplasmose ser muito mais facilmente transmitida através da ingestão de carnes cruas ou verduras mal lavadas. Simplesmente acharam um bode expiatório e tudo bem.
Assim, por conta disto e do pretenso risco à fauna silvestre (superdimensionado), os gatos dos parques são tidos como pragas. E o consenso de diversos grupos do poder público é: é preciso retirar os animais. Aí nós perguntamos: e fazer o quê com eles? São animais que nasceram nestas áreas, estão nelas integrados, e muitos não interagem com o ser humano - a não ser alguns, que são encaminhados para adoção. O caminho apontado por estas pessoas é a eutanásia pura e simples. Isto é justo?
Além de não ser justo, nem ético, esse procedimento já se provou inócuo, ineficaz. Em pouco tempo o local é novamente habitado, mas por novos gatos. E o que se faz? Captura e eutanásia para sempre?
Há diversos grupos pelo mundo que fazem o que estamos fazendo aqui. Na Itália, em Roma, há até leis protegendo as colônias de gatos ferais. É isto que queremos aqui no futuro. Por isto, no momento atual, nós do BNP estamos empenhados em reelaborar o Projeto, que foi escrito já há alguns anos, e apresentá-lo em breve ao secretário do Verde e Meio Ambiente, sr. Eduardo Jorge - que, na gestão passada, foi secretário da saúde, e a quem estava subordinado o CCZ.
É isto. Até o próximo boletim!
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