Sobre política, proteção animal e o Projeto Bicho no Parque
Durante as últimas semanas, aconteceram algumas coisas na proteção animal. Em uma reunião com protetores na APASFA, o vereador Aurélio Miguel apresentou em primeira mão um projeto de lei - de sua autoria - que regularizava a criação e a venda de animais domésticos. Quando foi protocolá-lo, 3 dias após essa reunião, descobriu que não poderia fazê-lo, pois o vereador Tripoli, cuja assessoria esteve na mesma reunião, havia protocolado um projeto semelhante algumas horas antes. Coisas da política.
Independente de quem seja o autor, o projeto tenta regularizar a criação e o comércio de animais. Existem, naturalmente, criadores decentes e que não vêem e nem tratam seus animais como meras fábricas de dinheiro. Mas a imensa maioria é de criadores inescrupulosos de ‘fundo de quintal’ mesmo, pessoas que não têm o menor respeito à vida e aos animais. Essa gente exaure suas matrizes fazendo com que engravidem em todos os cios (o que as enfraquece muito), vende as crias sem vacinas, sem controle de doenças e parasitas (isto custa, e não é pouco) e muitas vezes antes da época ideal de desmame (que ocorre aos 60 dias), expõe esses animais em avenidas ou locais movimentados, sob sol, chuva, tempo quente ou frio. Vendem para qualquer pessoa que se encante com o filhote, sem falar das características do mesmo quando crescer (e aí acontecem casos de pessoas que moram em apartamentos minúsculos comprarem um cão que fica imenso e precisa de espaço para se movimentar), o que aumenta em muito o risco do abandono deste animal no futuro. Enfim, o que importa para essas pessoas é faturar. E é sobre esse comércio geralmente ilícito que a lei pretende legislar.
No entanto, a lei possuía algumas definições não muito corretas, e, ao nosso ver, precisava de alterações. Por isto, o Nelson Bertarello, representando o Bicho no Parque e a UIPA, foi à Câmara de Vereadores na audiência pública do projeto, e expôs suas idéias. Não foi muito bem recebido pela equipe do vereador Tripoli, que é absolutamente impermeável a qualquer proposta externa. Assim, no dia 15/05, fomos, o Nelson, eu (Andrea Podolski) e o veterinário Wilson Grassi, novamente à Câmara, para conversar com outros vereadores. Fomos recebidos pelos vereadores Wadih Mutran, Aurélio Miguel e Aurélio Nomura. O tema foi o projeto em si, mas pudemos aproveitar para começar a apresentar - muito discretamente - o Bicho no Parque.
Esta apresentação começa a ser necessária, pois a intenção do Projeto BNP sempre foi criar uma política pública que tratasse dos gatos ferais e semi-ferais que vivem nos parques e praças de nossa cidade - e nos parques e praças do mundo inteiro. Infelizmente, aqui no Brasil ainda está em voga a idéia de que animais são, em primeiro lugar, vetores de zoonoses. É assim que a Saúde Pública os vê. Como exemplo, há o caso de um símio que estava no viveiro do Parque Ibirapuera, na divisão de veterinária (silvestres), e que morreu de toxoplasmose. Capturaram o primeiro gato que conseguiram, enviaram-no ao CCZ e, como ele se comportou de forma agressiva (como faria QUALQUER gato não domesticado na mesma situação), foi eutanasiado. NÃO FIZERAM NELE O EXAME PARA DETECTAR SE ESTAVA INFECTADO COM O VÍRUS, nem levaram em consideração o fato de a toxoplasmose ser muito mais facilmente transmitida através da ingestão de carnes cruas ou verduras mal lavadas. Simplesmente acharam um bode expiatório e tudo bem.
Assim, por conta disto e do pretenso risco à fauna silvestre (superdimensionado), os gatos dos parques são tidos como pragas. E o consenso de diversos grupos do poder público é: é preciso retirar os animais. Aí nós perguntamos: e fazer o quê com eles? São animais que nasceram nestas áreas, estão nelas integrados, e muitos não interagem com o ser humano - a não ser alguns, que são encaminhados para adoção. O caminho apontado por estas pessoas é a eutanásia pura e simples. Isto é justo?
Além de não ser justo, nem ético, esse procedimento já se provou inócuo, ineficaz. Em pouco tempo o local é novamente habitado, mas por novos gatos. E o que se faz? Captura e eutanásia para sempre?
Há diversos grupos pelo mundo que fazem o que estamos fazendo aqui. Na Itália, em Roma, há até leis protegendo as colônias de gatos ferais. É isto que queremos aqui no futuro. Por isto, no momento atual, nós do BNP estamos empenhados em reelaborar o Projeto, que foi escrito já há alguns anos, e apresentá-lo em breve ao secretário do Verde e Meio Ambiente, sr. Eduardo Jorge - que, na gestão passada, foi secretário da saúde, e a quem estava subordinado o CCZ.
É isto. Até o próximo boletim!
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2 respostas para “ Sobre política, proteção animal e o Projeto Bicho no Parque ”
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Espero que esta lei dê certo e vigore com responsabilidade…não como a gente vê com tantas leis que não são cumpridas.
O HOMEM, HÁ MUITOS ANOS ATRÁS, DECIDIU DOMESTICAR OS ANIMAIS…
AGORA É TARDE PRA VOLTAR…
ESTES ANIMAIS NÃO TEM CULPA DE NASCEREM…
PRECISAMOS CUIDAR DO PROBLEMA…E NÃO NOS LIVRARMOS DELES.
Beijo
Ainda leva tempo pro BNP virar uma política pública mesmo, e mais ainda conseguirmos uma lei que proteja os gatos ferais como existe na Itália. Mas chegaremos lá!